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A volta dos jogos escolares e a narrativa da meritocracia

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          Após dois anos de hiato, balões, pompons, cartazes e gritos de guerra coloriram as arquibancadas de ginásios escolares Tocantins a fora. Em 2022, os Jogos Estudantis do Tocantins (Jet's), puderam contar com a participação das torcidas em campo, apoiando seus times.           Ver a alegria dos adolescentes, que diante de um confronto se confraternizavam trouxe um misto de sensações. As orações dos atletas antes do jogo, as vibrações positivas dos amigos às margens do retângulo que delimita os limites da quadra, e a expectativa dos professores com convicção de que seus alunos são os melhores podem ilustrar a experiência da última semana.           Esse episódio poderia romantizar a paixão pelo esporte e a certeza de seu fundamental papel na formação da cidadania. Porém, como tenho feito de modo insistente, o que me traz de volta a esta página é o sentimento...

Obsolescência programada em obras públicas?

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  Impulsionado pela Revolução Industrial, o capitalismo tem produzido efeitos diversos no seio social. Com vista direta ao lucro, projetado pela mão invisível do mercado, uma das suas principais características é a geração de riquezas para poucos. Apesar do fomento à evolução de produtos e serviços, com ênfase no desenvolvimento tecnológico, os frutos desse modelo econômico não são tão doces como pensamos. Além da degradação ambiental; divergência entre capital e trabalho; alargamento das desigualdades sociais; e desvirtuação de valores humanos, o incentivo ao consumo em larga escala está entre os detalhes que contribuem para a manutenção do status quo da dinâmica social estratificada.             Todas essas questões geralmente são discutidas em espaços de convivência e formação como organizações da sociedade civil e na escola. Mas, por que continuamos a consumir em demasia se já aprendemos que tal prática não nos benef...

Para não dizer que não falei das flores

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   (Charge de @IlustraGabs) Mais um 8 de março. Mais adjetivos e mimos de toda ordem para romantizar uma das narrativas mais antigas da história da humanidade, o calvário de ser mulher em uma sociedade machista e desigual. Antes mesmo de começarem as homenagens esvaziadas de sentido, o que me levou a escrever estas linhas são dois fatos assistidos nesse início de março: O primeiro deles, de repercussão mundial, é a coisificação das mulheres por um parlamentar paulista que sequer merece ter o nome mencionando nesse texto pelo nível de canalhice que sua conduta apresenta. Digo coisificação porque o fato citado transcende até a noção de objeto com a qual sempre fomos tratadas, seja para a satisfação da lascívia masculina ou para a servidão no lar. Infelizmente, em pleno século XXI, não são raros os casos em que saímos da condição de objeto para sermos tratadas como coisas por aqueles que dependem quase que totalmente de nós para a plena sobrevivência. O segundo fato, be...

A indesejada das gentes chegou

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  Há cerca de dois anos, conheci o poema ‘Consoada’, de Manuel Bandeira. Embora escrito há quase um século, serviu perfeitamente para o momento que uma amiga vivenciava, uma inesperada enfermidade.   Com o dom da poesia, de tornar sensível o sentido do mundo e das experiências que nos moldam, aqueles versos marcaram-me, tanto pela riqueza da sua construção, como pela elegância com a qual minha amiga os recitou. Para a semiótica, uma corrente de estudos linguísticos originada na França e que tem no Brasil pesquisadores como Luiz Fiorin, Diana Barros, Lúcia Teixeira e Luiza Silva, esta última tocantinense por adoção, o acontecimento pode ser entendido como o que é da ordem do inesperado e do impactante. Assim, o que nos impacta, de acontecimento, tende a tornar-se memória. Ao escrever sobre Memórias da Guerrilha, a professora Luiza Silva nos explica de forma bem didática esse rico campo dos estudos semióticos: “   A memória é sempre “imperfeita”, no sentido de sua...

Palavras, apenas!

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Texto escrito em dezembro de 2021 O fim de ano foi bastante movimentado para a educação pública em todo o país. Muitos pronunciamentos de governantes anunciando pagamento extra aos trabalhadores que dedicam seu ofício à educação das crianças e jovens de escolas estaduais e municipais. Uma surpresa, dizem, que com muito esforço e resultado da austeridade das gestões, chegou aos trabalhadores como presente do bom velhinho. Décimo quarto salário, abono especial, muitos foram as nomenclaturas utilizadas para anunciar as boas novas nos vídeos institucionais roteirizados especialmente para que as figuras estrelassem na mídia como autores da medida tão populista.  Dinheiro extra será sempre bem-vindo. O que não podemos aceitar é o discurso esvaziado que as assessorias de comunicação nos obrigam a testemunhar. Todas as palavras selecionadas milimetricamente para os tais pronunciamentos têm um único objetivo, desviar o foco dos trabalhadores da verdadeira origem dos valores recebidos em pag...

Muito prazer! Sou a biblioteca.

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                 Mais uma quinta-feira chuvosa nesse despontar de novembro. Mais uma aula de leitura com a galerinha do sexto ano. Mais uma tentativa de ajudar uma dúzia de meninas e meninos a superarem o déficit de aprendizagem que a pandemia trouxe a todos. Nos últimos três meses, já fizemos escuta de narrativas, leitura compartilhada de textos enigmáticos, brincadeira da forca, leitura e ditado de palavras com sílabas complexas. Mas ainda não havia conseguido ver nenhum daqueles olhos cheios de vida brilharem. “Queremos aulas diferentes”, disseram à orientação na escuta do conselho de classe. Mas como ser diferente diante da missão de ‘ensinar a ler e escrever’ em tempo recorde? Como proporcionar algo novo e legal para pré-adolescentes numa escola pública rural com parcos recursos? Em casa, olhando a estante, pensei em levar alguns livros da coleção de Minecraft para um self servisse de leitura, mas logo desisti. Embora seja alg...

Sobre o poder da representatividade

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 Texto escrito no início de agosto. Tenho de forma insistente usado as redes sociais e alguns veículos de comunicação para expressar minha indignação enquanto cidadã tocantinense pela histórica ausência do olhar governamental ao extremo norte do estado. Em meio às cobranças e críticas que tenho tecido, de forma justa, dessa vez senti a necessidade de escrever sobre alguns fatos que também têm chamado minha atenção enquanto servidora pública e filha dessa terra tão sofrida. Hoje quero falar sobre o poder da representatividade. Palavra muito utilizada nas discussões de cunho social, é o substantivo que indica “qualidade de alguém, de um partido, de um grupo ou de um sindicato, cujo embasamento na população faz que ele possa exprimir-se verdadeiramente em seu nome”. Nas minhas andanças costumeiras pelo Bico, percebi que não por acaso, começamos a ter representatividade no cenário político estadual. O que vocês podem questionar já que a região sempre teve pessoas da região ocupando alg...