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82 anos de nascimento, quase 50 de saudade. Dr. Juca presente!

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Fotografias em reprodução monocromática, boletins escolares, diplomas, notícias em recortes de jornais, algumas breves cartas sem endereço do remetente. O que pode suprir a dor da falta? Os elementos expostos na galeria da Universidade Estadual do Maranhão em Porto Franco, neste São João de 2023 esforçam-se para figurativizar a trajetória do filho estudioso, do irmão carinhoso, do profissional dedicado e do militante aguerrido que teve sua jornada abreviada pela violência do Estado brasileiro. Saindo do sul do país, o jovem recém formado em medicina, toma do juramento de Hipócrates a promessa solene de consagrar sua vida a serviço da humanidade, integra as fileiras da resistência e parte para a militância política, social e humanitária. Pela rodovia Belém-Brasília, aporta às margens do Tocantins, na vida da pequena cidade e nos corações dos muitos pacientes atendidos com destreza e atenção nunca antes dedicada àquela gente simples.  A saudade plantada no seio da família que ficara ...

Professores terão de lutar por adicional de periculosidade?

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  Após receber notícia de um perfil criado com o nome "Massacre a Escola", tendo como descrição o anúncio de atentado contra colegas de uma unidade vizinha, lembrei desse relato que escrevi em 28 de outubro de 2021.  "Um homem embriagado que não faz parte da comunidade escolar chegou à nossa unidade (que não tem muro). O visitante indesejado entrou na sala do 9º ano enquanto começávamos a aplicar um teste simulado enviado. Além do constrangimento da situação que poderia ser inusitada, tive medo pelos alunos que, perplexos olhavam a cena sem entender.  Com a ajuda de uma aluna que passava pelo corredor, chamamos a gestora e um colega professor para convencer o moço a se retirar da sala para que a prova fosse realizada. Como não conseguiram sucesso na base da conversa e dando toda a atenção que o visitante inesperado queria, a gestora resolveu pedir apoio e começou a ligar para as unidades de policiamento da cidade.  Não bastasse nossa escola estar completamente vulner...

Não precisamos de armas, precisamos de livros cultura e paz

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  Geralmente escrevo motivada por indignação, para reivindicar direitos básicos à comunidade que integro. Hoje escrevo impelida pelo espanto, a comoção, a dor. Os direitos que reivindico dessa vez também são básicos, e deveriam ser inerentes à condição humana: a segurança, a educação e a vida. Enquanto lia para meu filho uma história sobre valores como a honestidade e a empatia, na “Fantástica fábrica de chocolates”, deparei-me com mais uma escola servindo de cenário para a barbárie [1] ! Desta vez as vítimas não eram adolescentes que possivelmente teriam cometido bullying. São crianças menores de sete anos que tiveram as vidas interrompidas quando ainda davam seus primeiros passos. Em plena semana que celebra a paixão de Cristo, nossas rotinas são mais uma vez atravessadas pelo noticiário, que chega de forma instantânea pelas redes sociais, dando conta de mais um atentado contra estudantes, professores e a escola. Questões de ordem socioemocional ou psicopatia, não podem ser tomad...

A bibliotecária

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  Na escola onde cursei o ginásio (sim, sou dessa época), tivemos uma biblioteca de fato. Era uma espécie de anexo construído no final do pavilhão de salas, num puxadinho. Era pequena na mesma proporção em que era aconchegante. Não por possuir acervo novo, mobília ou ambiente climatizado. Aquele espaço era sempre receptivo porque nele trabalhava uma senhora tão gentil e convidativa como a literatura. Já na iminência da sonhada aposentadoria, mesmo sem formação acadêmica, aquela professora normalista remanejada de função dava o ar de magia que as bibliotecas necessitam. Ela não ficava parada atrás do balcão de concreto. Antes mesmo de tocar o sinal da entrada ou da saída para o recreio, lá estava ela na porta com um sorriso largo no rosto, como aqueles que as avós esboçam para os netos. Era o convite para que adolescentes, tipicamente desinteressados por leitura, adentrassem o ambiente e fizessem a maior bagunça nas prateleiras, folheando e escolhendo o livro que levariam emprestado...

Patriotismo a lá Dom Quixote

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  Resquícios de uma pandemia com mais de 600 mil vítimas, inflação assombrando os lares de quem tem mais bocas para alimentar do que a renda mensal pode comprar, e muitas tensões em um período eleitoral marcado pela intolerância. Considerada a mais acirrada de toda a história da democracia brasileira, no palco da disputa presidencial de 2022, as propostas que futuro para devolver ao povo otimismo em dias melhores, foi sufocada por um verdadeiro tsunami de agressões pessoais e fake news, cada vez mais absurdas pela ausência total de ética e insistente desrespeito à lei. Passados quase dez dias, o resultado das urnas parece ter aberto um universo paralelo para muitas dezenas de eleitores Brasil afora. Vigílias sob chuva na frente de quarteis invocando o artigo 142 da Constituição Federal, crianças usadas como escudo em protestos, carona no para-choque de caminhão, comemoração da suposta prisão de um ministro da Suprema Corte, orações rogando pela morte do presidente eleito, e ...

A volta dos jogos escolares e a narrativa da meritocracia

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          Após dois anos de hiato, balões, pompons, cartazes e gritos de guerra coloriram as arquibancadas de ginásios escolares Tocantins a fora. Em 2022, os Jogos Estudantis do Tocantins (Jet's), puderam contar com a participação das torcidas em campo, apoiando seus times.           Ver a alegria dos adolescentes, que diante de um confronto se confraternizavam trouxe um misto de sensações. As orações dos atletas antes do jogo, as vibrações positivas dos amigos às margens do retângulo que delimita os limites da quadra, e a expectativa dos professores com convicção de que seus alunos são os melhores podem ilustrar a experiência da última semana.           Esse episódio poderia romantizar a paixão pelo esporte e a certeza de seu fundamental papel na formação da cidadania. Porém, como tenho feito de modo insistente, o que me traz de volta a esta página é o sentimento...

Obsolescência programada em obras públicas?

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  Impulsionado pela Revolução Industrial, o capitalismo tem produzido efeitos diversos no seio social. Com vista direta ao lucro, projetado pela mão invisível do mercado, uma das suas principais características é a geração de riquezas para poucos. Apesar do fomento à evolução de produtos e serviços, com ênfase no desenvolvimento tecnológico, os frutos desse modelo econômico não são tão doces como pensamos. Além da degradação ambiental; divergência entre capital e trabalho; alargamento das desigualdades sociais; e desvirtuação de valores humanos, o incentivo ao consumo em larga escala está entre os detalhes que contribuem para a manutenção do status quo da dinâmica social estratificada.             Todas essas questões geralmente são discutidas em espaços de convivência e formação como organizações da sociedade civil e na escola. Mas, por que continuamos a consumir em demasia se já aprendemos que tal prática não nos benef...